A Black Friday de 2026 cai em 27 de novembro. Para a maioria das indústrias, isso significa que ainda há tempo. Não há. A regra que define quem vai ostentar o selo de Black Friday no Mercado Livre olha para os 60 dias anteriores à data — ou seja, a janela que decide o seu desconto começou em 28 de setembro e já está correndo enquanto você lê isto.
Essa inversão de calendário é a parte que quase ninguém planeja. O preço que a sua rede de revendedores praticar em outubro e novembro não é apenas uma venda de outubro e novembro: é o piso contra o qual o desconto de 27 de novembro será medido. Um revendedor que queima preço agora não está só corroendo a margem do canal — está destruindo a capacidade da marca inteira de oferecer um desconto visível na data que mais vende no ano.
Este artigo reúne o que se sabe sobre a regra dos 60 dias, a série histórica de faturamento da Black Friday no Brasil, o que cada canal mostrou na última edição e — a parte que não existe em nenhum outro lugar — o que a nossa própria base de monitoramento revela sobre a dispersão de preços de um mesmo produto no mesmo dia. No fim, mostramos como a aba de Promoções do Scana resolve o problema operacional de mudar o PMA por um período e avisar a rede.
A regra dos 60 dias: o que o Mercado Livre diz, exatamente
A página oficial da Black Friday do Mercado Livre é direta: os produtos identificados com o selo "Black Friday" possuem o menor preço dos últimos 60 dias. A plataforma apresenta isso como garantia ao consumidor de que o desconto é real.
Três detalhes importam para quem vende:
- A janela dobrou. Na campanha de 2024, a mesma página falava em 30 dias. A ampliação para 60 dias não é um ajuste cosmético: ela dobra o período em que uma queima de preço isolada contamina a elegibilidade do anúncio.
- A comparação é com o próprio histórico do anúncio. Reportagens sobre a edição de 2025 descreveram um critério mais específico: o vendedor precisaria anunciar a um preço pelo menos 5% abaixo do menor preço que ele mesmo praticou nos 60 dias anteriores. Não localizamos confirmação oficial de que esse percentual segue valendo em 2026 — trate-o como referência de ordem de grandeza, não como regra publicada.
- A plataforma audita. Julia Rueff, vice-presidente de Marketplace do Mercado Livre, afirmou que a empresa acompanha os preços dos vendedores por um período longo justamente para checar se o desconto é real, e que o selo e a exposição privilegiada vão apenas para produtos que a plataforma consegue auditar como mais baratos do que em períodos anteriores.
A consequência prática é desconfortável: não existe mais "subir o preço em novembro para dar desconto na Black Friday". A plataforma enxerga o movimento, e o anúncio simplesmente não recebe o selo.
O calendário invertido: as datas que importam de verdade
Se a Black Friday é 27 de novembro de 2026 e a janela de referência é de 60 dias, o cronograma real da sua operação é este:
- 28 de setembro de 2026 — começa a janela de 60 dias que define o preço de referência. Tudo o que for anunciado a partir daqui entra na conta.
- Outubro inteiro — período mais perigoso. É quando a rede costuma fazer "queima de estoque pré-Black Friday" sem perceber que está rebaixando o próprio piso.
- Até meados de novembro — prazo para travar a política de preço com a rede e cadastrar as campanhas nas plataformas.
- 27 de novembro de 2026 — Black Friday.
Vale um alerta adicional: os marketplaces aplicam freezing de preço e prazos de adesão às campanhas semanas antes da data. Quem decide a política de preço na terceira semana de novembro já perdeu as janelas de cadastro mais relevantes.
Quanto vale a Black Friday no Brasil: a série histórica
Aqui é preciso cuidado metodológico, porque os números mais citados na imprensa misturam recortes diferentes. Há duas séries distintas, e elas não são comparáveis entre si:
Série 1 — apenas a sexta-feira (Confi Neotrust)
- 2020: R$ 4,15 bilhões
- 2021: R$ 5,13 bilhões — o pico da série, puxado pelo isolamento social
- 2022: R$ 4,21 bilhões
- 2023: R$ 3,95 bilhões — o fundo do poço
- 2024: cerca de R$ 4,28 bilhões
- 2025: R$ 4,76 bilhões, alta de 11,2% — a segunda maior sexta-feira da série, atrás apenas de 2021
Série 2 — o período completo de quatro dias
- 2021: R$ 9,91 bilhões
- 2024: R$ 9,3 bilhões
- 2025: R$ 10,19 bilhões, de quinta (27/11) a domingo (30/11) — recorde histórico, alta de 7,8% sobre 2024
Atenção a um erro que circula muito: o número de R$ 4,76 bilhões é frequentemente apresentado como "o faturamento da Black Friday 2025". Não é. Ele corresponde apenas à sexta-feira. O total da campanha foi R$ 10,19 bilhões. Confundir os dois recortes distorce qualquer projeção de meta.
Outros indicadores de 2025 que ajudam a dimensionar a edição de 2026:
- 21,5 milhões de pedidos no período completo, alta de 16,5%, com quase 56,9 milhões de itens vendidos.
- Na sexta-feira isolada, 8,69 milhões de pedidos (+28%) — mas com tíquete médio em queda de 12,8%, de R$ 634,40 para R$ 553,60.
- A quinta-feira (27/11) somou R$ 2,28 bilhões, com alta de 34,1%, sinal de que a data está se diluindo ao longo da semana.
- No acumulado de 1º a 27 de novembro, o chamado "Black November" movimentou R$ 39,2 bilhões, alta de 36,2%.
A leitura é clara e tem consequência direta para quem define política de preço: cresce o volume, encolhe o tíquete. Mais pedidos, mais baratos. Esse é exatamente o cenário em que uma rede sem PMA definido entra em guerra de preço — porque todo mundo tenta compensar a queda do tíquete com volume, e o caminho mais curto para volume é cortar preço.
Canal a canal: o que se sabe sobre a última edição
Um aviso de honestidade: não existe dado público confiável de participação no faturamento da Black Friday por marketplace. Consultorias publicam totais do e-commerce, não a fatia de cada plataforma. Quem apresenta esse número costuma estar estimando. O que existe, e é útil, são indicadores de intenção, atenção e investimento:
- Preferência declarada do consumidor (pesquisa MindMiners com 1.500 pessoas): Magalu 22%, Casas Bahia 16%, Americanas 13%, Shopee 12%, Amazon 12%, Mercado Livre 9%. Mede lembrança de marca, não venda.
- Menções em redes sociais (estudo FGV/EAESP com a Polis Consulting, 124 mil menções): Amazon concentrou 81% das menções entre as grandes varejistas, Mercado Livre 6,4% e Shopee 4,1%.
- Tráfego: o Mercado Livre lidera em visitas, com mais de 300 milhões de acessos mensais; a Amazon fica por volta de 200 milhões.
- Investimento em cupom na edição 2025: Mercado Livre R$ 100 milhões, Amazon R$ 50 milhões, Shopee R$ 16 milhões na Black Friday (além de R$ 20 milhões no 11/11).
Repare na contradição entre os indicadores: a plataforma mais lembrada espontaneamente não é a mais mencionada nas redes, que por sua vez não é a líder de tráfego. Para a indústria, a conclusão é que não dá para escolher "o canal da Black Friday" — a demanda está distribuída, e a política de preço precisa valer em todos eles ao mesmo tempo. Um PMA respeitado no Mercado Livre e ignorado na Shopee não é uma política; é uma sugestão.
O dado que só quem monitora tem: a dispersão real de preço
Aqui saímos do noticiário e entramos na nossa base. Analisamos todas as observações de preço coletadas pelo Scana em setembro de 2026, agrupando por produto, por canal e por dia. Consideramos apenas produtos com cinco ou mais anúncios ativos no mesmo dia e excluímos anúncios finalizados e pausados. A pergunta: qual a diferença entre o maior e o menor preço do mesmo produto, no mesmo canal, no mesmo dia?
| Canal | Amostras (produto × dia) | Dispersão mediana | Dispersão no percentil 90 |
|---|---|---|---|
| Mercado Livre | 70.733 | 137,8% | 768,4% |
| Magalu | 9.390 | 91,2% | 356,8% |
| Shopee | 21.798 | 72,0% | 490,9% |
| Amazon | 1.291 | 56,2% | 132,6% |
| Loja própria da marca (e-commerce direto) | 5.701 | 29,4% | 46,6% |
Leia a primeira linha devagar: no Mercado Livre, em metade dos casos o preço mais alto do mesmo produto é pelo menos 2,4 vezes o preço mais baixo, no mesmo dia. E em 10% dos casos a diferença passa de 7,5 vezes.
Para descartar a hipótese óbvia — de que a diferença viria de kits comparados com unidades avulsas —, inspecionamos casos reais da faixa mediana. Eles são do mesmo produto, na mesma gramatura. Três exemplos, com as marcas omitidas por serem clientes:
- Uma ração super premium de 7,5 kg, mesma linha e mesmo sabor: anunciada de R$ 182,32 a R$ 451,98 no mesmo dia.
- Um teclado gamer semi-mecânico: de R$ 95,75 a R$ 229,90.
- Uma ração de 1 kg: de R$ 30,85 a R$ 79,99.
Agora cruze isso com a regra dos 60 dias. Se o seu produto é anunciado por R$ 182 por um revendedor qualquer em outubro, esse valor passa a ser o piso de referência para o anúncio dele. E, mais grave: ele vira a âncora que o consumidor usa para julgar o "desconto" de todos os outros. O revendedor que respeitou a política vira o caro da praça — não porque errou, mas porque alguém errou primeiro.
Note também a última linha da tabela. Na loja própria da marca, onde existe um único dono do preço, a dispersão mediana cai para 29,4%. A diferença entre 137,8% e 29,4% é, essencialmente, a medida da ausência de governança de preço no canal de terceiros.
Por que o PMA decide quem leva o selo
Preço Mínimo Anunciado (PMA, ou MAP no mercado internacional) é a política pela qual o fabricante define o menor valor pelo qual seu produto pode ser anunciado — não o preço pelo qual deve ser vendido. Essa distinção é jurídica e importa: definir preço de revenda é prática vedada pela Lei 12.529/2011; estabelecer regras sobre como a sua marca aparece na vitrine é política comercial legítima, amparada pela Lei 9.279/1996.
Na Black Friday, o PMA deixa de ser um tema de margem e vira um tema de elegibilidade. Sem ele:
- O piso de 60 dias é definido pelo seu pior revendedor. Quem queimar preço em outubro define o preço de referência de novembro.
- O desconto real precisa ser maior para ser visível. Se o produto já esteve a R$ 182, o desconto de Black Friday precisa partir dali — não do preço sugerido.
- A margem some do canal inteiro. O revendedor que cobre o preço do concorrente não ganha mercado; ele apenas transfere margem para o consumidor e reduz o valor percebido da marca.
- A recuperação é lenta. O preço desce em um dia e demora meses para voltar, porque o mercado já reajustou a expectativa.
Com PMA definido e monitorado, a lógica se inverte: a marca sabe qual é o piso de cada anúncio, consegue planejar de quanto será o desconto e pode garantir que a rede inteira desça junto — no mesmo dia, na mesma proporção.
Como a aba de Promoções do Scana resolve isso na prática
O problema operacional de uma campanha como a Black Friday não é definir o desconto. É executar a mudança de política com data para começar, data para acabar e a rede inteira avisada — sem que ninguém precise lembrar de desfazer nada depois.
É exatamente isso que a Central de Promoções do Scana faz:
- PMA promocional com período definido. Você cria a promoção com nome, descrição, data e hora de início e de término, e sobe a lista de itens por planilha (EAN + preço mínimo promocional). Durante a janela, o PMA promocional passa a valer no lugar do PMA original em todo o sistema.
- Volta sozinho ao PMA original. No término, a política reverte automaticamente para o preço mínimo anterior. Não há risco de esquecer a promoção ligada em dezembro — que é, na prática, o erro mais caro que se comete depois da Black Friday.
- A rede é avisada automaticamente. Ao ativar, o sistema notifica os usuários da marca no painel e dispara e-mail para os vendedores que têm anúncio dos itens da promoção, com a lista do que mudou: EAN, produto, PMA original e PMA promocional. Cada vendedor recebe apenas os itens que lhe dizem respeito.
- A fiscalização continua rodando durante a campanha. Os anúncios passam a ser comparados contra o PMA promocional, não contra o antigo. Na tela de Anúncios, o preço mínimo aparece destacado com a etiqueta da promoção, para a equipe não confundir o que está sendo cobrado.
- Múltiplas promoções programadas. Dá para deixar Black Friday, Cyber Monday e Natal cadastradas com antecedência, cada uma com sua janela, e o sistema ativa e encerra cada uma na hora certa.
Uma observação honesta sobre o alcance do aviso: o e-mail chega aos vendedores que têm contato cadastrado na base. A cobertura de contatos varia muito de marca para marca, e esse é um trabalho de cadastro que precisa ser feito antes da campanha, não durante. Vale usar as próximas semanas para isso.
O que fazer nas próximas semanas
- Agora: levante o preço mínimo praticado por cada revendedor nos últimos 60 dias. Esse número, e não a sua tabela, é o seu ponto de partida real.
- Ainda em outubro: comunique à rede que a janela de referência está aberta e que queimar preço agora compromete o desconto de todos em novembro. É um argumento que o revendedor entende, porque afeta a venda dele.
- Até o início de novembro: defina o PMA promocional da campanha, item a item, e cadastre a promoção com as datas corretas.
- Antes de ativar: confira a base de contatos dos vendedores. Aviso que não chega não protege ninguém.
- Durante a campanha: acompanhe diariamente quem está abaixo do PMA promocional e notifique na hora. Em campanha, um dia de atraso é o canal inteiro repreçado.
- Depois: confirme que a política voltou ao PMA original e verifique quem permaneceu com o preço promocional após o fim.
Perguntas frequentes
Quando é a Black Friday 2026 no Brasil?
A Black Friday de 2026 acontece em 27 de novembro, última sexta-feira do mês. Na prática, as campanhas da maioria dos marketplaces começam na segunda-feira anterior e se estendem até a Cyber Monday, na segunda-feira seguinte.
Como funciona a regra dos 60 dias do selo do Mercado Livre?
O selo "Black Friday" é concedido a produtos que estejam com o menor preço dos últimos 60 dias. A plataforma compara o preço da campanha com o histórico do próprio anúncio nesse período. Em 2024 a janela era de 30 dias; ela foi ampliada para 60.
Qual desconto mínimo preciso dar para ganhar o selo?
A página oficial fala em "menor preço dos últimos 60 dias", sem publicar um percentual. Reportagens sobre a edição de 2025 mencionaram a exigência de um preço pelo menos 5% abaixo do menor valor praticado pelo próprio vendedor na janela. Não há confirmação oficial desse percentual para 2026 — confirme na Central de Vendedores antes de precificar.
Posso subir o preço antes da Black Friday para dar um desconto maior?
Não funciona. A janela de 60 dias existe justamente para detectar essa manobra: o preço inflado entra no histórico, e o desconto passa a ser medido contra o menor preço do período, não contra o valor recém-elevado. O resultado é o anúncio ficar sem o selo e sem a exposição privilegiada.
Quanto o e-commerce brasileiro faturou na Black Friday 2025?
R$ 10,19 bilhões no período de quinta a domingo (27 a 30 de novembro), segundo a Confi Neotrust — recorde histórico, com alta de 7,8% sobre 2024 e 21,5 milhões de pedidos. O valor de R$ 4,76 bilhões, muito citado, refere-se apenas à sexta-feira.
O que é PMA e ele é legal no Brasil?
PMA é o Preço Mínimo Anunciado: o menor valor pelo qual o fabricante autoriza que seu produto seja anunciado. É diferente de impor preço de revenda, que é vedado pela Lei 12.529/2011. A política de PMA trata de como a marca é exibida na vitrine e se apoia no direito sobre a marca (Lei 9.279/1996). Em geral, a sanção por descumprimento se funda na revogação da autorização de uso da marca naquele anúncio, não no preço em si.
Dá para mudar o PMA só durante a Black Friday e depois voltar ao normal?
Sim. É para isso que serve o PMA promocional. No Scana, você cadastra uma promoção com data de início e término, sobe a planilha de itens com o preço mínimo da campanha, e o sistema aplica o novo piso na janela e reverte sozinho ao PMA original no encerramento, sem intervenção manual.
Os revendedores são avisados quando o PMA muda?
No Scana, sim. Ao ativar a promoção, o sistema envia notificação no painel aos usuários da marca e dispara e-mail aos vendedores que possuem anúncios dos itens afetados, listando EAN, produto, PMA original e PMA promocional. Cada vendedor recebe só o que lhe diz respeito. O alcance depende de haver contato cadastrado para aquele vendedor.
Qual a diferença de preço do mesmo produto entre vendedores?
Nos dados coletados pelo Scana em setembro de 2026, considerando produtos com cinco ou mais anúncios ativos no mesmo dia, a dispersão mediana no Mercado Livre foi de 137,8% — ou seja, o maior preço costuma ser cerca de 2,4 vezes o menor. Na Shopee foi de 72,0%, no Magalu 91,2% e na Amazon 56,2%. Em loja própria da marca, cai para 29,4%.
Monitorar preço na Black Friday é diferente do resto do ano?
Sim, em dois pontos. Primeiro, a velocidade: em campanha, o preço muda várias vezes ao dia, e uma verificação semanal não enxerga nada útil. Segundo, a referência: o que precisa ser fiscalizado é o PMA promocional da campanha, não o preço mínimo do catálogo — comparar contra a referência errada gera notificação indevida ao revendedor, que é o tipo de erro que destrói a credibilidade da política.
Em resumo
A Black Friday de 2026 será disputada com mais pedidos e tíquete menor, num mercado que já movimentou R$ 10,19 bilhões em quatro dias na edição anterior. A regra dos 60 dias do Mercado Livre transformou a política de preço de outubro em pré-requisito para o desconto de novembro. E os dados do nosso monitoramento mostram que, sem governança, o mesmo produto é anunciado com diferença mediana de 137,8% no mesmo dia e no mesmo canal.
Quem define o PMA, comunica a rede e fiscaliza diariamente chega em 27 de novembro com desconto visível e margem preservada. Quem não define chega com o piso que o pior revendedor deixou.
Se quiser ver como isso funciona na sua marca, conheça o Scana.